Entidade realiza 7º Encontro da Comissão Anamatra Mulheres e de Lideranças Associativas Femininas
A Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), por meio da Comissão Anamatra Mulheres, realizou, nesta sexta (20/3), o 7º Encontro da Comissão Anamatra Mulheres e de Lideranças Associativas Femininas. O evento, em formato telepresencial, reuniu mais de 80 participantes, entre magistradas, magistrados e lideranças associativas.
A abertura teve a participação do presidente da Anamatra, Valter Pugliesi, e da diretora de Cidadania e Direitos Humanos, Roberta Santos, que destacaram a relevância do espaço para o fortalecimento da atuação feminina e o aprimoramento institucional.
Com o tema “Ampliação e fortalecimento da participação de magistradas nos espaços políticos”, o encontro teve como destaques a exposição da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, e da juíza auxiliar da Presidência do Superior Tribunal Militar (STM), Bárbara Livio. A mediação foi conduzida pela diretora de Prerrogativas e Assuntos Jurídicos da Anamatra, Patrícia Sant’Anna.
Em uma fala contundente, a ministra Cármen Lúcia articulou a relação entre democracia, igualdade e dignidade humana, ressaltando o descompasso entre os fundamentos constitucionais e a realidade vivida pelas mulheres no Brasil. “Quando vemos uma violência sendo praticada contra uma mulher por ser mulher, a cada seis segundos no Brasil, estamos em situação de inconstitucionalidade permanente”, afirmou.
A ministra também destacou que a presença feminina nos espaços de poder é condição essencial para o aprimoramento da própria prestação jurisdicional. “Um Judiciário que não tem a perspectiva de gênero na sua composição dificilmente terá a perspectiva de gênero em seus julgamentos, fazendo com que tenhamos, talvez, menos justiça do que se pode esperar de um ordenamento jurídico democrático como o brasileiro”, pontuou.
É justamente diante desse cenário de desigualdades persistentes, que tensiona os próprios fundamentos democráticos destacados pela ministra, que se insereiu a reflexão trazida por Bárbara Livio. A juíza auxiliar da Presidência do Superior Tribunal Militar (STM) abordou os desafios estruturais que ainda limitam a ascensão feminina aos espaços de poder, destacando a persistência de desigualdades, estereótipos de gênero e barreiras institucionais.
Para a magistrada, o enfrentamento desse cenário exige ação coordenada, produção de dados e fortalecimento da liderança feminina. Nesse sentido, defendeu a necessidade de um “pacto de subversão”, capaz de dar visibilidade às desigualdades e nomear as violações. “Não é uma guerra de sexos, é só uma luta, muito digna, pelos espaços de poder”, afirmou.
Oficinas e conclusões
Como parte da programação, foram realizadas quatro oficinas temáticas voltadas à construção de propostas concretas. Os debates abordaram, entre outros pontos, letramento de gênero, as barreiras à igualdade real entre homens e mulheres, os obstáculos à candidatura feminina a cargos de poder e os fatores que influenciam a escolha de mulheres para posições de liderança.
As conclusões do 7º Encontro da Comissão Anamatra Mulheres e de Lideranças Associativas serão disponibilizadas no página da Comissão, no portal da Anamatra: https://www.anamatra.org.br/comissao-anamatra-mulheres
Pesquisa
O encontro marcou o relançamento da pesquisa “Condições de Trabalho da Magistratura Trabalhista”, desenvolvida pela Anamatra em parceria com o laboratório Insight Data Science Lab da Universidade Federal do Ceará (UFC).
A professora e pesquisadora Rebeca Sabóia Quezado apresentou o estudo, que tem como objetivo mapear a percepção de magistradas sobre suas condições de trabalho, além de identificar adversidades do exercício da jurisdição e subsidiar a formulação de políticas institucionais para seu enfrentamento.
A pesquisa é destinada a magistradas e magistrados e está disponível para participação no link: https://www.anamatra.org.br/pesquisa-ufce

